SEMANAL

QUEM FALOU EM “CURA GAY”?!

A suposta “autorização da cura gay” pela Justiça Federal do Distrito Federal ganhou considerável destaque no início dessa semana.

Artistas e formadores de opinião foram as suas redes sociais divulgar vídeos e mensagens em protesto à referida decisão, como se fossem os “Combatentes do Preconceito”.

Alguns jornais televisivos, impressos e eletrônicos, por sua vez, com o sensacionalismo de sempre, procuraram crucificar o Juiz Federal Waldemar Cláudio de Carvalho, prolator da decisão liminar proferida.

Mas será que os “Combatentes do Preconceito”, na verdade, não teriam agido com preconceito contra o mencionado julgador?!

Fala-se em preconceito por uma simples questão: quantos desses “combatentes” efetivamente leram a decisão na sua íntegra e procuraram interpretá-la devidamente?

Não está aqui a se discutir a homossexualidade, e nem teria essa pretensão, seja porque as pessoas são livres para amar como quiserem e como se sentirem melhor, seja porque a orientação sexual não deve ser objeto de qualquer distinção de tratamento!

Somos todos iguais perante a lei, e isso não é uma opinião pessoal, mas sim, uma garantia constitucional.

Graças a Deus, tenho convívio e amizade com pessoas que amo, respeito e considero independentemente da opção sexual, raça ou religião. Lamento pelas pessoas que fazem reservas indevidas e agem com preconceito, seja de qualquer natureza.

Mas isso, por outro lado, não me dá o direito de levantar uma suposta bandeira de “Combate ao Preconceito” praticando o preconceito!

Exatamente por isso, não poderia me calar diante de tamanho preconceito praticado pelos supostos “defensores da homossexualidade”! E o pior: replicado por tantos, inclusive amigos, que sequer procuraram se informar devidamente, apenas seguiram o fluxo, no denominado “efeito manada”.

O Juiz Federal Waldemar Cláudio de Carvalho, em sua decisão, atestou explicitamente que homossexualismo não é doença, afirmando, inclusive, que o projeto de lei que pretendia implementar a “cura gay” é passível de críticas, eis que “parece equiparar a homossexualidade a outros transtornos da sexualidade”.

Em outras palavras: o referido magistrado também se mostrou contrário à “cura gay”, e mesmo assim, está sendo rotulado de “Autorizador da Cura Gay”. As pessoas que assim o estão rotulando, não pensaram nas sérias consequências e riscos que isso pode trazer ao magistrado e seus familiares, eis que a intolerância, nesses casos, predomina, levando as pessoas a terem reações condenáveis (lembremos do recente caso do homem que, acompanhado de sua mãe idosa, teve seu carro apedrejado e linchado por pessoas que o pré julgaram, quando, na verdade, foram os skatistas que desrespeitaram o horário e o local de fechamento da rua pela qual deveriam transitar).

Salta aos olhos que o magistrado está sendo, na verdade, a vítima do preconceito, pois teve suas palavras completamente deturpadas para atender a mídia sensacionalista que domina o país, apoiada pela falta de informação da maioria, que na ânsia de condenar, aponta o dedo sem analisar criticamente a situação, alcançando, portanto, a definição de preconceito.

Independentemente do acerto ou desacerto da decisão proferida, fato é que o Juiz Federal não autorizou a “cura gay”, mas apenas determinou que a regulamentação do Conselho Federal de Psicologia acerca das “normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual” deve ser interpretada às luzes da Constituição Federal, permitindo àqueles que VOLUNTARIAMENTE buscarem orientação acerca da sua sexualidade, tenham o acesso ao atendimento da ciência que tem como objeto principal, dentre outros, o comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e social. Nada mais!

E o que tem de errado nisso?!

O ser humano deve ser livre para procurar o apoio que julgar necessário para o seu próprio desenvolvimento pessoal, independentemente da opção sexual, raça ou religião, o que não significa dizer que o atendimento psicológico pretende a “reversão” da homossexualidade.

Como diz o ditado: “cada um sabe onde o sapato aperta”.

Admitir entendimento contrário é tolher o direito de escolha de cada um, excluindo, até mesmo, a possibilidade de busca por auxílio de um especialista para aquele que assim o deseja.

Aliás, não me recordo de ter visto críticas tão incisivas à Novela das 9 da Rede Globo por ela ter demonstrado o quão importante pode ser um psicólogo no processo de descobrimento pessoal daquele que se vê incompreendido pela sociedade ou por ele mesmo.

É preciso condenar menos, amar mais e buscar a verdadeira informação antes de fazer qualquer juízo de valor.

Esse caso é mais um daqueles que nos mostra o quanto o preconceito é equivocado e parte, não raro, daqueles que “condenam” o próprio preconceito. É preciso se informar antes de condenar! A história tem sempre dois lados! Pense nisso!

*Por Hélio Navarro